Que tal o seu relógio biológico?

Que tal o seu relógio biológico?

O relógio biológico é um sistema interno de coordenação que temos todos os seres vivos, que comanda o ritmo de todos os processos, desde o sono dos mamíferos até o florescimento das plantas.

Os horários de trabalho podem ser difíceis de gerir. A pressão e uma menor quantidade de sono podem alterar o seu relógio biológico e a sua forma de vida.

Mas a ciência continua a fazer das suas e foi descoberto uma forma de modificar a atividade de uma enzima que ajusta a velocidade do relógio biológico e, assim, ter a oportunidade de tentar o jetlag (cansaço por algum viagem em que se cruzam faixas horárias) e até mesmo o transtorno bipolar.

Foram realizados experimentos em ratos, em que se tem de reiniciar o relógio biológico com compostos inibidores da enzima mencionada. Os estudos foram realizados em Manchester e, de acordo com os cientistas, a substância pode restaurar os ritmos das pessoas com relógios biológicos alterados por horários de trabalho ou distúrbios psiquiátricos, como a depressão. Também pode ser útil contra doenças metabólicas, como a obesidade.

Andrew Loudon, pesquisador da Universidade de Manchester, explica: “pode-se controlar uma das moléculas-chave que participam em fixar a rapidez em que o relógio faz tic-tac, e fazendo isso, nós podemos realmente começar um novo ritmo. A conseqüência disso é que se você tem pacientes com ritmos severamente modificados -uma situação bastante comum – este fármaco pode actuar como um potente regulador da função do relógio orgânico. Pode tratar-se do primeiro fármaco que potencialmente pode fazê-lo”.

Em exames anteriores, demonstrou-se a existência de vínculos entre a irregularidade do relógio biológico e uma maior probabilidade de desenvolver Diabetes, doenças cardiovasculares e obesidade.

A atividade da enzima inibidora segue em observação e Michel Goedert, da divisão neurobiológica do laboratório de Biologia Molecular do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido (MRC por suas siglas em inglês), explicou: “Em próximos estudos em humanos se tratará de confirmar o que foi demonstrado em ratos, o que pode levar a projetar uma nova aproximação global para tratar a depressão ou o transtorno bipolar”.